Ontem faleceu alguém que não me era demasiado importante, mas que esteve presente incondicionalmente no momento mais frágil da minha família. O tempo passa tão depressa e eu que era pequena na altura, agora já sou uma mulher e com responsabilidades. A pessoa em si, de que falo, à qual foi a única pessoa que a minha mãe conseguiu ligar, salvou-me, quando mais ninguém o conseguiu fazer, não digo milhares, nem centenas, nem dezenas, mas sim uns cinco carros passaram por nós à beira da estrada de madrugada e nenhum se dignou a parar. O meu tempo naquela noite estava contado, e por momentos que não me fui também. Pois é minha gente, as pessoas são ridículas. Esta é a sociedade em que vivemos desde 2000.
Não podia deixar de o homenagear, neste momento. Já não vejo essa pessoa à anos, e agora deixou de existir essa oportunidade, mas estou ciente que estará num sitio melhor, como o meu pai.
Não podia deixar de agradecer por me ter salvo, a mim, e à minha família. E eu sei que o meu pai também agradece, todos os dias.





