simplesmente existir



Um livro aberto. 13111992 páginas. Era o que poderia ser a minha vida. Mas não. Gosto de tê-la assim - fechada.  Reservada. Delicada como a pétala de uma flor. Mantendo-a discreta é o segredo e a solução para os meus medos e dilemas. Não gosto que conheçam todas as minhas dores, isso faz de mim alguém fraco. Embora tenham conhecimento de uma dor que me acompanha à 12 anos, não mais irão saber de resto. Só se tudo da minha vida, desmoronar mais ainda e o chão abrir um grande buraco em que fará de mim mais uma pedra da calçada. Hoje, sei, que me orgulho de ter criado este blogue. Na verdade, não há uma descrição definida para aquilo que ele representa, apenas sei três coisas: tenho-o pelo meu pai, tenho-o porque gosto de me sentir alguém perante o mundo, e não uma formiga fechada em casa, nem que virtualmente e por fim, porque gosto de comentar os vossos blogues, e ter algo para vos dar em troca: aquilo que escrevo. Às vezes gostava de não pensar tanto, não ter a vida fechada. O ciclo perdido e o caminho resvaladiço. Gostava simplesmente do facto de existir, e puder mudar todo o rumo ao centro do meu epílogo. Não fazer nada com preceito e simplesmente existir. Porque às vezes é isso que precisamos. Simplesmente existir. Deixar tudo de parte e partir. Levar comigo o capitulo mais lindo e demolidor da minha vida, visitar o sitio mais especial e encontrar o lugar certo para o deixar. Enterrar não. Mas fazer de conta que o perdi. Talvez alguém o encontrasse e simplesmente lhe desse vida e o rumo mais fácil que se pode querer. Talvez esse capitulo lhe reserva-se sonhos que a mim não mais despertam e que as folhas que teimam em envelhecer, o sol lhes volte a sorrir, e o futuro lhe abra o peito, e o faça feliz. (...) Mas não é tão fácil assim. Há emoções que nos marcam definitivamente para todo o sempre, cravando garras no nosso corpo, como armadilhas. Mas no fundo, a nossa vida é mesmo um livro aberto, sejam 500, ou 700 páginas de cada capitulo. Mas elas não são todas folheadas. E faço questão que as minhas fiquem a meio. Que a história fique a meio. Que no prazer de me lerem, fique sempre a dúvida instalada. Do gosto de me conhecerem, fique sempre a razão de quererem voltar e fazer de mim, alguém ainda mais feliz! Espero-vos.

Vocês, são todas as palavras de alguém que já partiu para não mais voltar que nunca mais me as irá divagar.

25 comentários:

Cassandra Lovelace disse...

Esse é de facto o segredo porque se nos expomos demasiado e quem pensamos ser nosso amigo pode muito bem usar as nossas fraquezas contra nós.
E isso acontece entre família. Conhecemo-nos tão bem que quando entramos em conflito sabemos onde atingir e onde não vale a pena ir. E eu gostava de não saber para não ter a tendência de magoar. É certo que também faz falta alguém em que confiar mas acho que tudo tem uma medida e se corre mal? Guardamos como lição. Não sei se me fiz entender.
E obrigado, é um historia que está pendente desde janeiro mas que acabei por conseguir retomá-la! Agora irei escrever mais capitulos!
About game of thrones, os dragões são super cutes. Aquele episodio em que a Daeyneres (?) tem que os ir buscar à Casa dos Imortais está muito bem conseguido!

Knight disse...

Adorei! Gostei mesmo muito! Nem sei que comentar...

Íris disse...

tenho de decidir amanha! mas também peço ajuda à cabeleireira e à maquilhadora :)

Cassandra Lovelace disse...

Por incrivel que pareça, é isso que mais me cativa na série e como está tão bem conseguida, consegue superar o sangue todo, os escravos, o facto de partirem logo para a violência! E aquela coisa de eles andarem sempre a cortar cabeças!

Cassandra Lovelace disse...

Ahah, sim faz lembrar um pouco esse ditado! E a falar em 'rock n roll', adoro o soundtrack da série!

Knight disse...

Tive que me render ao intercâmbio de comentários :p AFINAL HAVIA OUTRA! não estou sozinha! é que não conheço ninguém que não goste.

Knight disse...

Eu por acaso até sou gulosa, mas aquilo é demais para mim. Eu provei porque uma amiga minha abriu uma loja e como nunca tinha provado e era ela, lá foi.

PinUp Me disse...

É o que fazes melhor, manter-te discreta e saber destingir os verdadeiros amigos com quem podes desabafar.
Quando os outros sabem demasiado sobre nós torna-nos vulneráveis baby ;)

Emilie Lorena disse...

Que texto tão profundo minha querida! Podes contar sempre connosco. Iremos voltar sempre, todos os dias para te ler e trazer as palavras que mais anseias. Estaremos a teu lado.
Tens um passado muito completo! Mais completo que o meu. Nunca fiz nada disso e já estive para participar em 2 concursos de escrita e não o fiz por falta de tempo, culpa da universidade.

Knight disse...

ahahah! por acaso não, dei uma dentada e dei o resto à espinha da minha irmã, que é uma verdadeira enfardadeira e não engorda por nada deste mundo.

Knight disse...

Como a vida é injusta... Eu tenho imensa facilidade em engordar, saio aos lados da minha mãe. Nunca fui magra na vida, já nasci assim para o generosa só o ano passado é que consegui emagrecer um bocado e até estou mais ou menos. À minha irmã faz-lhe impressão "como é que consigo comer tão pouco". Claro! ao pé dela o mundo todo come pouco.

Emilie Lorena disse...

Claro que digo minha querida. Fiz o mesmo com as pessoas que mais gostava quando mudei do outro blogue para este. Os mais importantes eu nunca deixo para trás :) E é verdade, certas pessoas vão embora e deixam um vazio atrás de si. Oh, é bom saber que sentirias a minha falta. Eu também ia sentir a tua! Com os meus amigos quando é preciso escrever algo recorrem logo a mim e até os meus pais fazem isso se precisam de algo. E claro, não sou capaz de dizer não!

Emilie Lorena disse...

É bom encontrar pessoas parecidas comigo, mostra que realmente ninguém está sozinho no mundo :) Temos sempre alguém que nos compreende! Eu dificilmente também o voltarei a fazer mas conta com o meu aviso se acontecer ;) Oh, de nada :) Está registado e estarei aqui para o que for preciso! Podemos não estar juntas fisicamente mas os conselhos serão os mesmos apesar da distância!

Cláudia Ribeiro. disse...

Oh, quem me dera, cair de novo, dessa maneira, como se fosse o fim do mundo.
Não tens de quê. Obrigada eu (:

Íris disse...

amanha vai ser muito difícil passar por cá mas no domingo faço posts e conto tudo e o que escolhi :)

Íris disse...

sim, eu sei :)

Cláudia Ribeiro. disse...

Porque caí bem no fundo, e desta vez, foi o meu coração que se esmurrou :x Não faço ideia do que sinto, os meus sentimentos estão amontoados.

Wanna disse...

'' (...)não ter a vida fechada. O ciclo perdido e o caminho resvaladiço. Gostava simplesmente do facto de existir, e puder mudar todo o rumo ao centro do meu epílogo. Não fazer nada com preceito e simplesmente existir. Porque às vezes é isso que precisamos. Simplesmente existir.'' - Uau, as tuas palavras são tão tocantes, arrepiantes e profundas Lúcia! O teu pai está a olhar por ti :) e adora-te a cada dia que passa! Podes contar comigo para o que precisares, tu sabes minha querida :) Um beijo enorme de força*

Wendy disse...

Gostei muito do blogue! Beijinho :')

Parede Escrita disse...

Fazes cada texto, que fico de boca aberta, amei! :)
óh, muito obrigado ;p

Cláudia Ribeiro. disse...

Eu estou bem querida. Só preciso de esquecê-lo!

Nix disse...

Um lindo texto, muito sentido! (:

V* disse...

Estou a gostar muito de te ler e de ler os teus textos =)

m. disse...

count me in - early winters

sem rumo.. disse...

Está, há dias difíceis, mas logo passa :)
Pois, eu não sei ao certo o motivo que o fez suicidar-se, acho que foi mesmo esse descontentamento com tudo o que o rodeava. Só sei que se tinha tentado matar outras vezes