# Fictício



Sem me aperceber, sou completamente arrastada de regresso ao passado, para uma memória muito, muito mais antiga; uma memória que me tinha escapado durante muito tempo e tudo me tinha cegado! Fiquei espantada ao ver que só recentemente tinha associado estas recordações a novas e às velhas. Nas recordações mais antigas e esbatidas, estava eu sentada contra a parede, enquanto silenciosamente se formava um cerco de reflexões e havia palavras, legendas a cantos, havia siglas, havia momentos, havia segredos! O meu pensamento encheu-se de uma tal ansiedade e de um desejo ardente que a parede lisa da minha mente se desmoronou por completo… respirei fundo e tentava dizer a mim própria que não iria continuar com aquilo e o meu pensamento era um lamento de frustração  baixei o olhar para a minha mão, apoiada sobre a minha coxa e senti impaciência e o desejo quase desesperado de agarrar as minhas coisas e desistir (…) o ritmo mastigado dos meus passos era uma música de fundo, baixa e entediante. Porém, fugir de novo como se a minha existência não passasse de um pequeno intervalo não era justo e permaneci, incontactável e inalcançável; de repente ao olhar sobre as memórias, sobre palavras e factos magoou-me, o som doloroso de certas locuções arrastou-me para um canto e solicitei-me à escuridão da solidão e só as promessas ficaram, só essas se mantiveram e só essas foram o meu esforço para levantar! Ergui um sorriso fácil e uma pontada de prazer fez-me soltar uma enorme gargalhada mas, mais uma vez desconfiei que não ia conseguir adormecer, mas havia tanta coisa que me proibia de pensar que a minha mente exibia-se ociosa e enevoada. A crueldade de um sentimento vem da profundidade do amor construído; amor de verdade e só tem uma vez, da primeira à última vez! Dura da eternidade de um sorriso à regalia de momentos, da saudade do conforto e da mais-valia de um oposto! O sentimento é a real persistência do amor, é aquele que na crua, pura e dura verdade resgata o passado sempre para o presente, aquilo que tive e não tenho mais… nem a minha escritura por linhas tortas merecia um fim tão trágico e nem o verdadeiro sabor da palavra amor devia vaguear na minha alma, com restos vivos e CONTÍNUOS do amor que me aquece  que me queima e que me afoga em lágrimas. 

(mais uma vez, volto a referir:
estes textos são pura ficção.)

11 comentários:

Luísa Abreu disse...

Gosto muito da forma como escreves as coisas tao detalhadamente*

sara disse...

bem verdade, a falta de tempo é horrivel, não me deixa vir cá as vezes que quero nem o tempo que quero $:

Miguel disse...

para ficção, está mesmo muito bom! parabéns :)

Evelyn Spark disse...

que lindo :) escreves muito bem

Eros disse...

Fictícios, mas Realmente fascinantes.
Escrita verdadeiramente magnífica!

Beijinho

Joana disse...

adorei!!! a sério por muito que seja fictício é lindo, tem alma. Gosto mesmo de chegar aqui e ver um texto destes!

Anónimo disse...

Um texto triste , mas não deixa de ser lindo pelo menos tem, memórias de um amor , feliz é aquele que amou mesmo não dando certo,

catarina disse...

Pode ser ficção, mas está lindo :)

OutraMaria disse...

adoro os teus textos...e a tua cabeça. é lindo e sentido tudo o que escreves.

Let's jazz, let´s live disse...

:s

Inês disse...

Escreves mesmo, mesmo bem! E apesar deste texto ser ficção, acho que muitos de nós já se deixaram arrastar para o passado. Talvez isso aconteça devido a que, por vezes, hajam assuntos/histórias mal resolvidas.. Gostei muito! :) Beijinho*